Cirurgias
Prótese de quadril: como é a cirurgia e quando ela é indicada


Dr. Carlos De Nigris González
Ortopedista · Especialista em Cirurgia do Quadril
A prótese total de quadril é considerada uma das cirurgias mais bem-sucedidas da medicina moderna. Ela substitui a articulação desgastada por componentes de metal, polietileno e cerâmica, devolvendo função e eliminando a dor em mais de 95% dos pacientes operados por cirurgiões experientes.
Quando a prótese é realmente indicada
A indicação principal é a artrose avançada com dor incapacitante e falha do tratamento conservador bem conduzido. Mas existem outras condições que também podem levar à cirurgia.
- Artrose primária ou secundária avançada do quadril.
- Necrose avascular da cabeça femoral com colapso.
- Fraturas desviadas do colo do fêmur em adultos.
- Artrite reumatoide e outras artrites inflamatórias.
- Sequelas de displasia do desenvolvimento do quadril.
- Falha de cirurgias anteriores de preservação articular.

Como é a cirurgia por via anterior
Na via anterior, o cirurgião acessa a articulação por um plano natural entre músculos, sem seccioná-los. Isso reduz drasticamente a dor pós-operatória, o sangramento e o risco de luxação.
A cirurgia dura em média 1 a 2 horas. É realizada com anestesia raquidiana associada à sedação, em ambiente cirúrgico de alta complexidade e com auxílio de mesa ortopédica e fluoroscopia para posicionamento exato dos componentes.
O que esperar nas primeiras 48 horas
A recuperação moderna prioriza mobilização precoce. Na maioria dos casos o paciente já caminha no mesmo dia da cirurgia.
- Levantar e caminhar com andador algumas horas após o procedimento.
- Controle de dor com bloqueios anestésicos e analgesia multimodal.
- Profilaxia para trombose venosa e antibiótico conforme protocolo.
- Alta hospitalar geralmente em 24 a 48 horas.
Materiais modernos e durabilidade
As próteses contemporâneas combinam haste e taça de titânio com superfícies de fricção cerâmica e polietileno altamente reticulado, que apresentam desgaste mínimo ao longo das décadas.
Estudos de longo prazo mostram sobrevida superior a 90% das próteses em 20 anos, quando bem implantadas. A escolha do par tribológico considera idade, nível de atividade e expectativa funcional.
Riscos — falar sobre eles é parte do processo
- Infecção (menos de 1% em cirurgias eletivas com protocolo adequado).
- Trombose venosa profunda, prevenida com medicação e mobilização precoce.
- Luxação, muito reduzida na via anterior.
- Diferença residual de comprimento dos membros, geralmente milimétrica e bem tolerada.
- Soltura asséptica em longo prazo (rara com técnica e materiais modernos).
Perguntas frequentes
Quanto tempo até voltar a dirigir?
Em geral entre 3 e 6 semanas, dependendo do lado operado, do uso de medicamentos e da resposta funcional individual.
Posso correr ou jogar futebol depois?
Atividades de alto impacto são desencorajadas. Caminhada, ciclismo, golfe, natação e musculação são liberadas e estimuladas.
A cirurgia dói muito?
Com bloqueios anestésicos modernos e analgesia multimodal, a dor pós-operatória é significativamente menor do que a maioria dos pacientes imagina.
A escolha de um cirurgião experiente em via anterior é determinante para acelerar o retorno às atividades, reduzir complicações e maximizar a durabilidade do implante.
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