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Dor no quadril

Bursite trocantérica: por que dói tanto na lateral do quadril

05 de março de 20268 min de leitura
Ilustração da bursite trocantérica, com inflamação destacada na lateral do quadril.
Dr. Carlos De Nigris González

Dr. Carlos De Nigris González

Ortopedista · Especialista em Cirurgia do Quadril

A bursite trocantérica é a inflamação da bursa, uma pequena bolsa de líquido localizada na lateral do quadril, sobre o trocânter maior do fêmur. Ela funciona como um “coxim” entre o osso e os tendões dos glúteos. Quando inflamada, gera uma dor pontual e bastante incômoda — uma das queixas mais frequentes no consultório de ortopedia.

Sintomas característicos

A dor da bursite trocantérica costuma ser fácil de identificar pela sua localização e pelos gatilhos clássicos.

  • Dor pontual na lateral do quadril, exatamente sobre a “bolinha” óssea (trocânter maior).
  • Piora ao deitar de lado, especialmente do lado afetado.
  • Aumento da dor ao subir escadas, levantar de cadeira ou após longas caminhadas.
  • Pode acordar o paciente durante a madrugada.
  • Eventualmente irradia para a face lateral da coxa.
Bursa trocantérica inflamada, destacada em vermelho na lateral do quadril.
A bursa trocantérica fica entre o osso e os tendões dos glúteos. Quando inflamada, gera dor pontual e intensa na lateral do quadril.

Por que ela aparece

Na maioria dos casos, a bursite é consequência de uma sobrecarga tendínea — uma tendinopatia dos músculos glúteo médio e mínimo. Os fatores que contribuem para isso são:

  • Fraqueza dos glúteos e instabilidade pélvica.
  • Diferença de comprimento entre as pernas.
  • Alterações da coluna lombar (escoliose, hérnias).
  • Sobrepeso e sedentarismo.
  • Aumento súbito de carga em corrida ou caminhada.
  • Quedas com trauma direto sobre a lateral do quadril.

Como confirmar o diagnóstico

O exame clínico é o padrão: dor à palpação sobre o trocânter e testes específicos de contração resistida dos glúteos. A ultrassonografia ou ressonância magnética confirmam a inflamação e excluem rupturas tendíneas associadas.

Tratamento — quase sempre conservador

A boa notícia: a grande maioria dos casos melhora completamente sem cirurgia, com um plano bem estruturado.

  • Fisioterapia com foco em fortalecimento dos glúteos e correção do gesto motor.
  • Anti-inflamatórios em ciclos curtos.
  • Crioterapia local nas crises agudas.
  • Ajuste de carga e técnica em corredores e caminhadores.
  • Infiltrações guiadas por ultrassom quando a dor persiste.
  • Medicina regenerativa (PRP) em casos selecionados.
  • Cirurgia (reparo tendíneo) apenas em rupturas estruturais comprovadas.

Perguntas frequentes

Posso continuar correndo com bursite?

Geralmente é preciso reduzir volume e intensidade temporariamente, ajustar técnica e fortalecer glúteos antes de retomar com segurança.

Infiltração com corticoide vicia?

Não. Quando bem indicada e guiada por imagem, é segura. O cuidado é evitar infiltrações repetidas e sem fisioterapia associada.

Tratar a bursite trocantérica corretamente vai muito além de tomar anti-inflamatório — exige reabilitação ativa e ajuste de hábitos. A persistência do tratamento é o maior preditor de sucesso.

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