Doenças
Impacto femoroacetabular: a dor no quadril do jovem atleta


Dr. Carlos De Nigris González
Ortopedista · Especialista em Cirurgia do Quadril
O impacto femoroacetabular (FAI, do inglês Femoroacetabular Impingement) acontece quando há atrito anormal entre a cabeça do fêmur e a borda do acetábulo durante o movimento, lesando progressivamente cartilagem e labrum. É uma das principais causas de dor na virilha em jovens e atletas.
Tipos de impacto
- CAM: protuberância óssea na junção da cabeça com o colo do fêmur. Mais comum em homens jovens e atletas.
- Pincer: cobertura excessiva do acetábulo sobre a cabeça femoral. Mais comum em mulheres de meia-idade.
- Misto: combina características dos dois tipos — corresponde à maioria dos casos.

Sintomas
- Dor na virilha em atividades de flexão profunda do quadril.
- Dor ao agachar, sentar em cadeira baixa ou cruzar as pernas.
- Sensação de bloqueio, estalido ou “travadinha” no quadril.
- Dor após permanecer muito tempo sentado.
- Piora progressiva da performance esportiva.
Por que é importante tratar cedo
O atrito repetido lesa o labrum e a cartilagem articular ao longo dos anos. Quando não tratado, é uma das principais causas de artrose precoce do quadril em adultos com 40-50 anos.
Identificar o problema cedo e tratar conservadoramente — e cirurgicamente quando necessário — pode preservar a articulação por décadas.
Tratamento
- Fisioterapia para correção de padrões de movimento e fortalecimento profundo do core e glúteos.
- Ajuste de carga e técnica em esportes.
- Anti-inflamatórios e infiltrações intra-articulares em crises.
- Artroscopia para correção do conflito ósseo e reparo do labrum, quando há lesão estrutural e a dor persiste apesar do tratamento conservador.
Perguntas frequentes
Todo paciente com FAI precisa operar?
Não. Muitos pacientes melhoram com fisioterapia bem orientada. A cirurgia é indicada quando há lesão estrutural e falha do tratamento conservador.
Posso continuar treinando com FAI?
Sim, com ajustes. Reduzir flexões profundas e melhorar a ativação dos glúteos costuma controlar a dor enquanto a investigação avança.
Tratar o impacto precocemente reduz o risco de artrose secundária décadas mais tarde — e mantém o atleta em atividade por muito mais tempo.
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