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Doenças

Necrose da cabeça do fêmur: o que é e por que exige atenção rápida

10 de fevereiro de 20269 min de leitura
Ilustração anatômica da necrose avascular da cabeça do fêmur, com área escurecida indicando morte óssea.
Dr. Carlos De Nigris González

Dr. Carlos De Nigris González

Ortopedista · Especialista em Cirurgia do Quadril

A necrose avascular (ou osteonecrose) da cabeça femoral é a morte do tecido ósseo causada pela interrupção do suprimento sanguíneo local. Sem tratamento, leva ao colapso da cabeça do fêmur, deformidade articular e artrose secundária — frequentemente em pacientes jovens.

Quem está em risco

  • Uso prolongado de corticoides (mesmo em curtos cursos em altas doses).
  • Consumo abusivo de álcool.
  • Doença falciforme e outras hemoglobinopatias.
  • Trauma prévio do quadril (fraturas, luxações).
  • Quimioterapia e radioterapia.
  • Mergulho profissional (doença descompressiva).
  • Lúpus e outras doenças autoimunes.
  • Em parte dos casos, a causa não é identificada (idiopática).
Cabeça do fêmur com área de necrose escurecida e início de colapso.
A interrupção do suprimento sanguíneo leva à morte do osso subcondral. Sem tratamento, a cabeça femoral colapsa.

Sintomas iniciais

A necrose costuma começar de forma silenciosa. A dor profunda na virilha, que piora ao apoiar peso e melhora em repouso, é o sinal mais característico nas fases iniciais.

Com a progressão, surgem claudicação, limitação de rotação interna e dor mesmo em repouso. Quando há colapso, a dor se torna constante e incapacitante.

Diagnóstico — quanto mais cedo, melhor

O raio-X simples pode ser normal nas fases iniciais, justamente quando o tratamento conservador tem maior chance de sucesso. Por isso, a ressonância magnética é o exame de escolha em qualquer suspeita.

Os estágios são classificados pela escala de Ficat ou Steinberg, que orientam o tratamento conforme a extensão da lesão e a presença de colapso.

Tratamento por estágio

A estratégia varia conforme a presença ou não de colapso da cabeça femoral.

  • Estágios precoces (sem colapso): descompressão do core, enxertos ósseos vascularizados, células-tronco e terapias regenerativas.
  • Estágios intermediários: associação de descompressão a enxertos ou tentativas de preservação articular em pacientes muito jovens.
  • Estágios avançados (com colapso ou artrose secundária): prótese total de quadril por via anterior, com excelente prognóstico funcional.

Perguntas frequentes

A necrose pode acometer os dois quadris?

Sim. Em até 60% dos casos a doença é bilateral. Por isso, ao diagnosticar um lado, o outro também é investigado por ressonância.

Existe tratamento sem cirurgia?

Em fases muito iniciais, sim — com medicações, controle de fatores de risco e fisioterapia. Mas o resultado é melhor quando associado a descompressão precoce.

Em necrose da cabeça do fêmur, tempo é articulação. Procurar o especialista cedo amplia muito as opções terapêuticas — e pode evitar a necessidade de uma prótese precoce.

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